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Esportes

Vôlei de Praia


Conhecendo o esporte e sua história

Autor(a): Marcelino Vizeu Calvo

          O vôlei de praia ou beach volley é derivado do vôlei de quadra ou indoor criado em 1985 nos EUA (que é uma mistura de basquete, tênis e handebol) e tem sua origem no início do século XX, nas praias do Havaí. Quando os surfistas, entediados com o mar muito calmo, adaptaram o vôlei de quadra para as areias das praias.

         O esporte da praia possui os mesmos fundamentos da quadra, mas o jogo é completamente diferente: a bola, o piso, o tamanho da quadra, a tática de jogo, as condições climáticas, a vestimenta (ausência de calçado, presença de bonés, viseiras e óculo de sol) e as regras possuem suas particularidades.

         O jogo possui o mesmo objetivo da quadra: fazer com que a bola toque o solo adversário. A altura da rede também é a mesma do indoor, no masculino: 2,43cm e no feminino 2,24 cm e a bola só pode ser tocada até três vezes por cada time, assim como na quadra.

         O vôlei de praia é o esporte que mais cresceu e se popularizou nas últimas décadas. Além de ser o único esporte coletivo que pode gerar até quatro medalhas olímpicas (duas no masculino e duas no feminino).

         Na década de 20, o esporte era apenas uma brincadeira despretensiosa, uma atividade de lazer praticada nas praias da Califórnia. Não tinha característica competitiva e era usada como atividade lúdica pelo exército americano. Os soldados passaram a praticar a nova modalidade e foram os grandes responsáveis por difundir o esporte no mundo durante a I Grande Guerra.

         Antes do final da década, o vôlei de praia já havia aportado na Europa e se tornara o esporte número um no sul da França. Já nos anos 30, era praticado assiduamente em todo o leste Europeu e na Ásia. Entretanto, foi nas praias de Santa Mônica, nos Estados Unidos, que o esporte começou a se organizar e a diminuir a quantidade de jogadores por equipe. Primeiro, o número se reduziu para quatro e, posteriormente, para dois.

         Na década de 40 foi disputado o primeiro torneio oficial de duplas masculinas nas areias da Califórnia. Na mesma época, o esporte chega ao Brasil, onde ganha força e destaque na orla carioca durante os anos 50. O voleibol, já praticado no país desde a década de 10 e com um grande número de adeptos, sai da tutela da Confederação Brasileira de Desportos e ganha a sua própria entidade organizadora em 1954, quando foi criada a Confederação Brasileira de Voleibol - CBV.

         Já nos anos 60, o vôlei de praia estava incorporado ao estilo de vida dos californianos e era uma verdadeira febre naquele local, mas somente ganhou notoriedade nacional, quando os Beatles e Marilyn Monroe mostraram interesse pelo esporte.

         Na Década de 70 aconteceu o primeiro campeonato profissional de vôlei de praia na Califórnia com o formato de circuito distribuído em sete cidades diferentes, com premiação em dinheiro para os primeiros colocados, patrocinadores grandes, importantes e a presença da mídia televisiva.

         Mas o grande “boom” do vôlei de praia ocorreu nos anos 80 quando o Brasil entrou no cenário mundial organizando torneios internacionais de exibição nas areias de Ipanema e do Guarujá com os atletas da geração de prata (vice-campeões das olimpíadas de Los Angeles em 1984) e os americanos campeões da associação profissional de vôlei de praia dos EUA – AVP, em 1986. E em 1987, a Federação Internacional de Voleibol – FIVB percebendo a força do esporte e o crescente interesse do público e da mídia colocou sua chancela sobre a modalidade, ficando assim, responsável pelo vôlei de praia em todo o mundo. Ainda no mesmo ano, aconteceu o primeiro campeonato mundial da modalidade nas areias de Ipanema, no Rio de Janeiro.

         Em 1990, a FIVB organizou o I Circuito Mundial de Vôlei de Praia Masculino, com etapas nos seguintes países: França, Itália, Japão e Brasil. E em 1991, a CBV cria no Brasil o Circuito Banco do Brasil de Vôlei de Praia com cinco etapas, mas apenas para o masculino. Em 1992, o Circuito Banco do Brasil passa a ter dezesseis etapas e pela primeira vez na história, conta com a participação das mulheres também.

         O vôlei de praia entra no programa Olímpico como esporte de apresentação nas Olimpíadas de Barcelona em 1992 e no ano seguinte a FIVB, seguindo os passos da CBV cria o Circuito Mundial Feminino da modalidade. Ainda no ano de 1993 o então presidente do Comitê Olímpico Internacional, o espanhol Antônio Samaranch acompanha à etapa brasileira do Circuito Mundial, no Rio de Janeiro. O campeonato, que teve um público estimado de 140 mil pessoas durante a semana, foi decisivo para a inclusão do vôlei de praia nos próximos Jogos Olímpicos, que aconteceria em Atlanta, nos EUA.

         Em 1994, os EUA perdem sua hegemonia para o Brasil em uma etapa do Circuito Mundial pela primeira vez na história do Circuito Mundial, já no feminino o Brasil sagra-se campeão do Circuito Mundial com a dupla Adriana Samuel/Mônica Rodrigues. E no ano seguinte, 1995, o Brasil é campeão do Circuito Mundial de Vôlei de Praia, pela primeira vez no masculino (Franco/Roberto Lopes), e novamente no feminino (agora com a dupla Jacqueline/Sandra Pires).

         Durante os Jogos Olímpicos de Atlanta, em 1996, cerca de 107 mil pessoas acompanharam as partidas do torneio de vôlei de praia. A bandeira brasileira dominou o pódio feminino como o ouro (Jacqueline/Sandra Pires) e a prata (Adriana Samuel/Mônica Rodrigues). A Austrália (Cook/Pottharst) ficou com o Bronze. Já no masculino, o domínio foi americano com Karch Kiraly/Kent Steffes em primeiro e Mike Dodd/Mike Whitmarsh em segundo. O Canadá (Child/Heese) ficou em terceiro e o Brasil terminou em nono.

         A década de 1990 terminaria com mais oito títulos do Circuito Mundial para o Brasil, quatro no masculino e quatro no feminino, em 1996, 1997, 1998 e 1999. E mais quatro Campeonatos do Mundiais ou Copa do Mundo da modalidade, duas no masculino e duas no feminino, em 1997 (que após 5 anos, passou a ser disputada bianualmente) e 1999 . Vale a pena lembrar que a partir de 1999, em Winnipeg no Canadá, o vôlei de praia passou a fazer parte da programação oficial dos jogos Pan-Americanos. A competição terminou com o Canadá em primeiro e o Brasil ocupando a segunda e terceira colocação no masculino, e no feminino o ouro ficou com o Brasil (Shelda/ Adriana Behar).

         Em 2000, nos Jogos Olímpicos de Sydney, o Brasil chegou como favorito e saiu da competição com três medalhas: duas de prata com Zé Marco/Ricardo e Shelda/Adriana Behar; e uma de bronze com Adriana Samuel/Sandra Pires. Os norte-americanos Blanton/Fonoimoana e as australianas Cook/Pottharst surpreenderam e ficaram com o ouro. Ahmann/Hager da Alemanha ficaram em terceiro e Loiola/Emanuel terminaram na nona colocação. Ainda neste ano, a dupla brasileira Shelda/Adriana Behar conquistou, pelo quarto ano consecutivo, o título da temporada do Circuito Mundial e no masculino, a dupla Ricardo/Zé Marco deram mais um título para o Brasil.

         Em 2001, Shelda/Adriana Behar asseguraram o bicampeonato mundial vencendo as compatriotas Sandra Pires/Tatiana. No masculino, os argentinos Conde/Baracetti surpreenderam Loiola/Ricardo e ficaram com o ouro. Ainda no mesmo ano, o Brasil conquistou o título do I Campeonato Mundial Sub-21 com Maria Clara/Shaylyn e Pedro Cunha/Anselmo. Tande/Emanuel asseguraram o título da temporada do Circuito Mundial e Shelda/Adriana Behar o pentacampeonato.

         Em 2002, o Brasil ficou com o ouro masculino do I Campeonato Mundial Sub-18 e o quarto lugar no feminino. Já no Mundial Sub-21, o Brasil ficou com o ouro no feminino e com o vice-campeonato no masculino. E após uma hegemonia de nove e oito anos, respectivamente, no feminino e masculino, o Brasil perdeu a primeira colocação no ranking mundial. Walsh/May, dos Estados Unidos, e Baracetti/Conde, da Argentina, foram os responsáveis pela quebra da supremacia brasileira. Shelda/Adriana Behar e Márcio/Benjamin foram os segundos colocados.

         Em 2003 foram realizadas as primeiras edições do Campeonato Brasileiro Sub-18 e Sub-21, em Ipanema. Pedro Solberg/Ian e Bárbara/Bia foram as duplas campeãs no Sub-18, e Pedro Cunha/Igor e Juliana/Taiana ficaram com os títulos no Sub-21. As competições serviram com seletiva para os Mundiais das categorias que aconteceram no mesmo ano e tiveram Pedro Cunha/Pedro Solberg como campeões do III Campeonato Mundial Sub-21 no masculino e as irmãs Maria Clara/Carol com o bronze no feminino. Já no mundial Sub-18 o Brasil ficou com um duplo vice-campeonato com Pedro Solberg/Ian e Carolina/Bárbara.

         Ainda em 2003, Copacabana sediou a última etapa do Circuito Mundial juntamente com o Campeonato Mundial. Emanuel e Ricardo não deram chances para os adversários e levaram os dois troféus. No feminino, Ana Paula/Sandra garantiram o título do Circuito, mas as norte-americanas Walsh/May derrotaram as bicampeãs Shelda/Adriana Behar na decisão do Mundial. E na segunda participação do vôlei de praia nos Jogos Pan-Americanos que aconteceu em Santo Domingo, na República Dominicana, o Brasil terminou na segunda colocação no masculino e na terceira no feminino.

         Em 2004, o Brasil garantiu a prata no Mundial Sub-18 feminino, o ouro no Mundial Sub-21 feminino e o bronze no Mundial Sub-21 masculino. Mas o grande destaque do ano para a modalidade foi à conquista da medalha de ouro pela dupla Ricardo/Emanuel nas Olimpíadas de Atenas superando, na decisão, Bosma/Herrera, da Espanha. A medalha de bronze ficou com Heuscher/Kobel da Suíça.  No feminino, Shelda/Adriana Behar garantiram a segunda medalha de prata olímpica. Um feito para poucos. Na final, perderam para as norte-americanas Walsh/May, favoritas ao título. O pódio olímpico foi completado por mais uma dupla dos Estados Unidos: McPeak/Youngs. As outras duplas brasileiras, Ana Paula/Sandra e Márcio/Benjamin terminaram a competição em nono lugar. O outro grande destaque do ano, foi que o Brasil voltou a dominar o Circuito Mundial, com Ricardo/Emanuel e Shelda/Adriana Behar em primeiro lugar no ranking.

         O ano de 2005 começou com o título inédito do Brasil no Campeonato Mundial Sub-19 feminino. No masculino, a melhor colocação foi o quinto lugar. No Campeonato Mundial Sub-21, o Brasil também conseguiu o lugar mais alto no pódio do torneio feminino, porém no masculino o título foi para a Lituânia e o Brasil só ficou com o quarto lugar. Já no Campeonato Mundial adulto, disputado em Berlim, na Alemanha, o Brasil ficou com o ouro no masculino. A dupla Márcio/Fábio Luiz venceu os suíços Paul Laciga/Markus Egger e no feminino, Juliana/Larissa conquistaram a medalha de prata. O ouro ficou com as bicampeãs Walsh/May. Ainda em 2005, Ricardo/Emanuel e Juliana/Larissa sagraram-se campeãs da temporada do Circuito Mundial. No masculino, as três primeiras posições no ranking foram do Brasil. Márcio/Fábio Luiz e Harley/Benjamin terminaram, respectivamente, em segundo e terceiro lugares. No feminino, Shelda/Adriana Behar ficaram com a terceira colocação.

         No Circuito Mundial de 2006, a dupla Ricardo/Emanuel garantiu o tetracampeonato e Larissa/Juliana ganhou o segundo título consecutivo. No Campeonato Mundial Sub-21 o Brasil conquista a quinta medalha de ouro em seis edições e no Masculino, Bruno Schmidt/Pedro Solberg foram os campeões, recuperando o título que o Brasil não ganhava desde 2004.

         Em 2007, Ricardo/Emanuel e Larissa/Juliana seguem dominando o Circuito Mundial. Os campeões olímpicos conquistam o pentacampeonato da competição internacional, enquanto Juliana/Larissa chegam ao tricampeonato. O Rio de Janeiro recebe os Jogos Pan-Americanos e as medalhas de ouro ficam no Brasil, conquistadas por Ricardo/Emanuel e Larissa/Juliana. Mas na Copa do Mundo os vencedores no masculino foram: Rogers/Dalhausser dos USA, Barsouk/Kolodinsky da Rússia em segundo, Schacht/Slack da Austrália em terceiro e Ricardo/Emanuel do Brasil em quarto. E no feminino: Walsh/May dos USA, Jia/Wang da China em segundo e Juliana/Larissa do Brasil em terceiro.

         No ano Olímpico de 2008, o Brasil garante duas medalhas nos Jogos Olímpicos de Pequim: prata, com Márcio/Fábio Luiz, e bronze, com Ricardo/Emanuel. No feminino, Talita/Renata ficam em quarto e Larissa/Ana Paula, em quinto. Os grandes vencedores são os Estados Unidos com Rogers/Dalhausser no masculino e Walsh/May garantindo o bicampeonato no feminino e ainda completaram o pódio: Jia/Je e Xue/Xi, ambas da China. No Circuito Mundial, o domínio foi das novas duplas brasileiras. O título do masculino foi da dupla Pedro Solberg/Harley e no feminino de Ana Paula/Shelda.

         Em 2009, Juliana/Larissa voltam a brilhar no cenário mundial, garantindo o pentacampeonato do Circuito Mundial e Alison/Harley, melhor do mundo pelo segundo ano consecutivo, são os vice-campeões atrás dos alemães Brink/Reckermann. O Brasil garante três medalhas no Campeonato Mundial, realizado na Noruega: duas pratas, com Larissa/Juliana e Alison/Harley, e um bronze com Talita/Maria Elisa. Os campeões no masculino foram Brink/Reckermann e no feminino, as americanas Ross/Kessy.

         Em 2010, o Brasil volta a dominar o Circuito Mundial no feminino, com Juliana/Larissa como campeãs e Talita/Maria Elisa em segundo lugar. E Xi/Xue da China em terceiro. No masculino, Alison/Emanuel terminam a temporada em segundo lugar, atrás dos americanos Rogers/Dalhausser. No mundial Sub-21, o Brasil conquista duas medalhas: prata com Alvaro Filho/Vitor Felipe e bronze com Fabí/Júlia Schmidt. Os campeões foram o Canadá no masculino e os Estados Unidos no feminino.

         Em 2011, Alison/Emanuel vencem o Circuito Mundial masculino, o décimo título de Emanuel e o primeiro de Alison. E no feminino, Juliana/Larissa garantem o Heptacampeonato. E estas duas duplas também garantiram o lugar mais alto no pódio do Campeonato Mundial na Itália, com Alison/Emanuel em primeiro, Ricardo/Márcio em segundo e Brink/Reckermann em terceiro. E no feminino, Juliana/Larissa em primeiro, Walsh/May em segundo e Xi/Xue em terceiro. No Sub-21, o Brasil ficou em terceiro no masculino, sendo o vencedor a Ucrânia, derrotando a Polônia na final. E no feminino, as vencedoras foram Suíça, Canadá e Holanda, o Brasil perdeu na primeira rodada da fase eliminatória.

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